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| Lembrete de bolso do meu caríssimo amigo Jorge. |
PALAVROSSAVRVS REX
«No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. Ela estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dela. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.» (João 1, 1-5) [joshuaquim7@gmail.com] © Joaquim Carlos Rocha Santos, joshua
Quinta-feira, Junho 20, 2013
O BRASIL SAI À RUA PORQUE... III
Porque o autarca da cidade de São Paulo, Fernando Haddad e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, aumentaram as tarifas dos transportes públicos e foram desprezivamente para Paris, garantindo que não dialogariam com ninguém, nem com os manifestantes. Já mudaram de ideias. Bastou uma gota de água.
O BRASIL SAI À RUA PORQUE... II
Porque o Sistema Corrupto Instituído no Brasil tem uma relação áspera com a verdade. Por exemplo, bastou que a jornalista Fernanda Odilla revelasse ter o Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores] achado pequena a suíte de 81 m² do hotel Beverly Hills, em Durban, na África do Sul, e hospedado a doutora Dilma no Hilton para, por ordem terminante do Planalto, tais informações passarem a reservadas, vedadas ao público, inescrutináveis e, a partir de agora, só sejam divulgadas em 2015. Quem tem terror da verdade?! Se lá estivesse, também estaria na rua.
Quarta-feira, Junho 19, 2013
O BRASIL SAI À RUA PORQUE...
Por mil e uma razões sai e sairá o Brasil à rua, uma delas tem a ver com os esforços do Sistema Corrupto Instituído para diluir as penas dadas aos mensaleiros que correm o risco de serem mandados para o presídio do Tremembé, isto é, de regresso à vida boa e diletante, Paris, Férias, Sossego, com o ministro Dias Toffoli, do STF, a dizer que, escandalosamente, os recursos dos réus poderão demorar dois anos para ir a julgamento. Lá como cá, há culpa, mas não há pena aplicada ou há culpa, mas não há acusação. A merda é a mesma. Só varia no grau.
DILMA NÃO ESCUTA NADA

Se Dilma ouvisse as ruas, pronunciar-se-ia imediatamente contra a lei que prepara a castração dos poderes de actuação Supremo Tribunal Federal em casos como o do Mensalão.
O GLORIOSO ÁLVARO VELHO
A UNESCO inclui, o documento ressuscita à atenção global. Falta uma produção épica hollywoodesca que faça justiça à gesta Portuguesa dos Descobrimentos, primeira globalização. O diário da primeira viagem de Vasco da Gama, inédita na exploração da costa Africana do Índico para alcançar a Índia e atribuída a Álvaro Velho seria uma peça de utilidade axial. Falta que alguém se apaixone, um director, um realizador, e pegue no diário que narra a exploração dos Oceanos para alcançar a Índia como o documento vivo da liderança de uma frota, aventura das aventuras que instuíu Portugal como a Primeira Potência Global da História da Humanidade, o que não é para todos. O texto original do diário está na rede, Colecção Gâmica da Biblioteca Digital da FLUP.
CENAS DO PARTIDO-VÁLVULA
Tendo Paulo Portas como Pontífice e facilitador de entendimentos, é descompressor ver o PS disponível para compromisso no sentido de estabilizar quadro fiscal em Portugal: reduzir a carga fiscal ainda nesta legislatura manter o diálogo com o maior partido da oposição é o que parece: o CDS-PP como partido válvula. Portugal estranha, sempre que o PS constrói alguma coisa e deixa de fingir que o estado do País é uma coisinha recente imputável só aos outros. Espero que o pacote fiscal e a descida do IRC, e quaisquer medidas integradas de fomento ao crescimento económico e à procura interna sejam causas de Regime, comuns ao Arco da Bancarrota Governação, a pensar no médio e longo prazo, e não na mesquinhez inconoclasta de uma crise política com que todos perderiam.
RELATÓRIO PPP E O GORDUCHO RUI PAULO
Quem veio a terreiro contestar com marginalidades o argumentário do Relatório da Comissão das PPP, e logo com um sorriso cheio de dentes plantado no rosto, foi o deputado do PS, Rui Paulo Figueiredo. Mais uma relíquia do socratismo no respectivo grupo parlamentar. Para o improvisado porta-voz dos Governo Sócrates, que não do PS, os factos elencados pelo relatório pouco importam. A primeirinha coisa a fazer, antes de mais, foi politizá-los reduzindo-os à longa batalha politiqueira medíocre entre o danoso Partido Socialista e o desastrado PSD, faces da mesma moeda má do Regime. O que é que aflige e afadiga o risonho e anafado Rui Paulo Figueiredo?! Não é o facto de os contribuintes e o Estado Português estarem esmagados de compromissos e de dívidas à Banca que financiou as PPP, esmagados pelas obrigações do Estado aos concessionários protegidos por cláusulas leoninas. Isso é uma bagatela para o Ruizinho. O que incomoda é que a Comissão de Inquérito das Parcerias Público-Privadas não tenha abortado as suas conclusões, mas tenha feito uma encenação, uma manobra de diversão para afastar a Opinião Pública da realidade e da actual governação troyko-europeia por interposto Governo-PSD-CDS-PP. Será uma encenação que paguemos de modo grotesco o que resultou da avidez obreira desmedida e comissionista dos Governos Sócrates, apesar do acidente que se desenhava a grande velocidade?! E por que razão não veio José António Seguro ele-mesmo [ou uma qualquer figura grada bem falante de segundo plano, e não de terceiro ou quarto, como o jovem turco Rui Paulo] defender as virtudes da dívida massiva resultante das derradeiras PPP do socratismo?! Conviria recordar ao rotundo Rui Paulo que o desastre de uma governação como a que porventura decorrerá é o desastre do País que é o resultado de anos de desastre pela Corrupção de Estado instituída, que é o desastre do eleitoralismo crasso do passado, que é o desastre de figuronas desastrosas como a pessoa inefável e pomposa do político José Sócrates, vicioso e tresloucado, no seu vácuo berlusconas-mugabeano, de seis anos da imagem pela imagem. Nem o mais competente governante poderia branquear as responsabilidades do Arco da Governação na pré-bancarrota de 2011, branquear os efeitos daninhos de quinze anos de socialismo, branquear os frutos amargos de décadas de Corrupção-de-Regime, estagnação económica, agonia financeira, declínio anímico, imoralidade política, submissão ao Plutossocialismo dos soares e dos salgados, queda de Portugal no vexatório mundial, sob vários pontos de vista. A comissão das PPP acusa, e acusa bem, os responsáveis, não do PS, mas dos Governos-PS e eles têm nome, convém não diluir no vago aquilo que teve assinaturas e decisores, não em nome do Interesse Público e das Gerações Futuras, mas contra eles e em benefício de uma amálgama de gente, parte dela na sombra e à sombra, os Bancos do costume, os interesses habituais, transversais, BES-MotaEngil, como consta do documento. Não pode haver duas versões para a mesma desgraça: por que motivo Rui Paulo não tirou o sorrisinho dental de menino de bibe e não assumiu alguma coisa em nome dos Governos PS?! Por que motivo nunca encontramos o PS a assumir excessos, erros, abusos, a purgar-se da viciosa Corrupção-de-Regime?! Por que motivo nos acontece ouvir os rui-paulo-figueiredos, os zorrinhos, os joão-soares, os josé-junqueiros, as suas justificações e disparos, e ainda ficar a dever dinheiro e desculpas e mil-perdões ao PS, aos deputados do PS, aos dirigentes do sacrossanto PS?! É com esta Esquerda-que-não-se-Enxerga que Portugal pode contar para sair do buraco para onde foi atirado?! Nada menos ético que o PS passar o tempo a sacudir a água do capote e a refugiar-se em desculpas menores como as queixinhas pela divulgação do documento antes de ter chegado às papudas mãos dos deputados do único partido autorizado a governar em Portugal, o PS. Por que motivo o PS parece nunca não ter violado a Constituição, mas defraudou três vezes o País com bancarrotas, arruinando-o?! Por que motivo o PSD não pode violar a Constituição e a lei para tentar tirar-nos dos apertos actuais em que a outra gerência nos colocou?! Por que motivo o PS e o resto da Esquerda Pudica se mostram guardiões da Constituição no momento da aflição, mas não se lhes ouve pio no tempo do regabofe e do caminho em direcção à parede?! Os Governos Sócrates foram a derradeira cortina de fumo, biombo de malfeitorias, a grande charla do Regime, à vista do grande espalhanço. Espero que o Ministério Público pegue nos factos, nas provas deste Relatório e faça qualquer coisa de inédito e até inesperado nesta Podridão Politiqueira em socorro da qual Rui Paulo é mais um, mais um a fugir com o rabo gorducho à seringa das evidências, boca risonha repleta de dentes desalinhados à revelia da nossa tragédia.
DILMA ROUSSEFF OU A MATRIX BRASILEIRA
O que é que se passa no Brasil? Basicamente, o despertar de uma certa autoconsciência que converge em protestos pelas razões de sempre. Não há só alguma assimetria na distribuição da riqueza, mas tudo ali é simétrico, sendo dê por onde der. E não vale a pena a Presidência tentar distribuir demasiado o âmbito e os alvos do protesto. A corrupção é a marca de água do Regime.
A figura da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, está danificada irremediavelmente pelo curso habitual trilhado pela impunidade. A construção dos estádios para o Mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 teria de sofrer as derrapagens escandalosas da praxe, o que só se torna chocante quando se pondera as enormes carências e falta de qualidade na Saúde Pública, espectáculo quotidiano de negligência e descaso. Assim, o Governo dormente de Dilma dificilmente mudará o que não mudou nem moralizou até aqui, bem pelo contrário. As vozes pela mudança e a pressão social já não suportam a ambivalência das instituições e a sua enorme permeabilidade ao abuso. Por isso veremos o Rio de Janeiro, São Paulo e a maior parte das capitais estaduais envolvidas num protesto ao qual já só falta um Memorando de Exigências que acorde políticos desfocados como Geraldo Alckmin. Uma sociedade onde o preço das coisas é altíssimo, em que se tolera a má qualidade dos serviços públicos, a corrupção, os limites que a juventude enfrenta na concretização dos seus sonhos, lá como cá, um sentimento apartidário e sem ideologia senão o grande sentimento de mal-estar e de aviltamento pelo seu mundo ao contrário. Se há uma revolução cívica no Brasil, constante e tenaz, ela é filha do Facebook na congregação e autoconsciência das pessoas. É o direito à indignação com o qual Rousseff tenta lidar com a melhor face e bonomia possíveis até porque todos os governos mundiais aprendem com os erros e o sangue vertido noutras manifestações e noutros Países. Mas o protesto não chega. Se ele terminar e nada mudar, foi tempo perdido e espectáculo substitutivo da novela das sete. O cansaço é com o cinismo do Partido dos Trabalhadores, com a construção inflacionada e repleta de derrapagens corruptas dos estádios do Mundial de futebol por contraste com a realidade terceiro-mundista dos hospitais públicos miseráveis, onde faltam profissionais e todos os recursos que dignifiquem os cidadãos. Não é mais tolerável que só um estádio, como o do Maracanã, ter sido alvo de grandes obras de reconstrução no valor de 345 milhões de euros e nada de equivalente se faça nos equipamentos de Saúde ou da Educação. Não é mais tolerável que o interesse das imobiliárias ansiosas por novas áreas para construir terraplanem e expropriem o simples cidadão mudado para qualquer lugar medíocre, como acontece na vila Autódromo, na zona ocidental, lugar da futura Aldeia Olímpica. Bastou o rastilho do aumento do preço dos autocarros em São Paulo, num sistema com veículos que são os mesmos desde há quase uma década. O paradoxo brasileiro é, portanto, chocante e terrível. Resta saber se esta espécie de acordar cívico, com todos os riscos de apropriação pelos saqueadores e violentos, terá consequências palpáveis ou morrerá na mais completa inconsequência. Repare-se que o facto de algumas cidades estaduais anunciarem um recuo nos preços dos transportes, isso já não tem qualquer peso dissuasor. Dilma, que há dias veio mostrar toda a sua altivez despreziva para com o minúsculo Portugal na sua cabeça, em pleno dia 10 de Junho, está no olho do furacão. É ela precisamente o alvo simbólico dos protestos que deflagram nas cidades e pouco ou nada a salva da detracção e do cansaço de todo um Povo sem Esquerda e sem Direita. Se foi capaz de desprezar oficialmente o Dia de Portugal e, portanto, os Portugueses, e, portanto, Portugal, ninguém estranhará que despreze o Nordeste Brasileiro como País à parte do Sul próspero e rico, ou que despreze cidadão imbecil que espera seis horas agonizando num hospital público. O que toda a gente/todo o mundo percebe que Dilma, face visível da Matrix brasileira, já abriu as pernas aos milhões que enchem os bolsos das construtoras e dos interesses instalados graças às exorbitantes derrapagens corruptas. Lá como cá, a arrogância da Esquerda, a corrupção da Esquerda, a impunidade da Esquerda, o grande biombo da gula e do abuso com que se fazem milhões para gastar em Paris.
Terça-feira, Junho 18, 2013
POUPAR NA PONTA DOS CORNOS
O conceito de poupança inventado pelo Governo Passos diz respeito a todo o tipo de renegociação de problemas, contratos swap, parcerias ruinosas em que o Estado Português se meteu através de outros Governos: não é nada bom para Portugal no seu conjunto que o Estado Português perca a face. Nada pior que perder a face. Toda a gente se escandaliza justamente com o facto de para a Banca Nacional e para a Banca Exterior este Governo ser todo cumprimento do apalavrado e assinado, lealdade e pezinhos de lã, sendo que depois não poupa ninguém à voragem dos cortes especialmente no funcionalismo público, mera intenção para a qual é preciso colhões de aço. No meio de todas as dificuldades que atravessamos, tento pensar que quanto se fizer no sentido de dar aos compromissos com a Banca Nacional e Internacional o respeito que [não!] merecem nos poupará a desgraças maiores, mas o certo é que no que ao funcionalismo público diz respeito está a nascer todo um admirável mundo novo: rasuram-se regalias, abre-se uma guerra com o Tribunal Constitucional que é uma espécie de última barreira entre o Estado e os detentores dessas regalias, os sindicatos saltam a terreiro na defesa do seu torrão, pode o País desmoronar, e vêm as avoilas, vêm os nogueira e vêm os outros. Toda a obsolescência e o parasitismo que as décadas acalentaram e pelas décadas engordaram tornaram-se posto de vigia face a uma ameaça real. Jaz no pó o tempo em que as amplas liberdades eram amplas formas de falir com o País muitas vezes. As vezes que fossem precisas para manter regalias e um admirável mundo à parte. No meio do nosso sofrimento, estrebucham os boys, esparramam-se em espasmos as girls dos partidos do Arco da Bancarrota, décadas a infectar tudo em que o Estado tocou. Não me admiraria nada que Portas se atravessasse pelo refugo do funcionarismo público agregado aos partidos, aliado a Seguro, aliado a Mário Nogueira, aliado ao fóssil Arménio, que deve estar de férias a preparar a próxima Greve Geral à Greve Geral. O sistema das bancarrotas está a ver se derruba um Governo. Boa sorte, rapazes!
NO MEIO DO RUÍDO, A DISCRIÇÃO
«Há, porém, avanços na frente financeira externa; alguma dessacralização inevitável do "programa de ajustamento" e da "troika"; uma atenção à concertação social que nem sempre se vê; um trabalho sério, desprovido de propaganda óbvia, na economia e na promoção verosímil do emprego numa contingência que não é apenas doméstica; na redução de encargos geracionais com rendas e ppp's; na dimimuição do número das empresas municipais e da dispersão autárquica; no "desinvestimento" nas indemnizações compensatórias na televisão e rádio públicas que obriga a empresa detentora da concessão do serviço público a mudar de vida para a preservar; na saúde, onde Paulo Macedo se revelou um estadista responsável capaz de um desempenho político noutra pasta onde possa aliar as suas valias em administração pública com o "mundo cá fora"; ou na administração interna onde a serenidade política tem frutificado.» João Gonçalves
ESTIGMA E EXECRAÇÃO PARA ANTES DE MORRER
Estou convicto de que à luz da lógica revolucionária do Reino dos Céus, assente na compaixão e na misericórdia, no plano transtemporal-quadridimensional todos os carrascos serão salvos por intercessão de todas as vítimas, apesar da sede de Justiça dos filhos das vítimas. E será esse o castigo: «Csatari espancava regularmente os judeus detidos com as mãos despidas, chicoteava-os sem razão particular, sem atender à condição, sexo, idade ou saúde das pessoas agredidas.»
ILHAS DE LUXO NO MEIO DA FOME
O estilo de vida intocável de quem aufere enormes rendimentos é muitas vezes o de quem vive numa ilha. Dir-se-ia que vivem num mundo à parte com o qual nada têm a ver e não têm mesmo. Há riqueza e riqueza. Entre quem investe e trabalha dignamente e quem enriqueceu à pala da Política vai uma enorme distância. No dia em que esta distinção fosse feita e tivéssemos uma clarificação absoluta acerca das fontes de renda de muitos novo-ricos, Portugal seria muito mais salubre.
PARTIDOCRACIA, CORRUPÇÃO E JUSTIÇA
Não sou e nunca serei dos que vociferam serem os políticos todos corruptos. Todas as generalizações são injustas, pois o trigo e o joio crescem juntos nos partidos. O que é preciso é processar ex-governantes e ex-gestores por gestão danosa, por decisões escandalosamente lesivas do interesse público. Guilhotinar às cegas não resolve problemas. É preciso dar os nomes aos bois e ter uma Justiça actuante e isto se não acontece a bem, pode suceder a mal. A corrupção do Regime Português consiste em precisamente não termos essa Justiça, não termos partidos que se regenerem e se redignifiquem, não termos senão uma Opinião Pública passiva e frouxa que não lê, não conhece, não criva, não distingue charlatões de desprendidos e quer derrubar Governos em plena procela para ver no que dá. Dá merda.
TECTÓNICA DAS ALMAS
Afinal há algo de novo a acontecer ao largo de Portugal, uma zona de subducção incipiente. Em 220 milhões de anos a Europa poderá fundir-se com a América do Norte e Portugal abalroar o Estado de Nova Iorque. A subducção dos mercados e a subducção dos ricos, essas pertencem à misteriosa tectónica das almas e à finitude de um mundo injusto enquanto não surge o definitivo.
À ESPERA DA MORTE OU DA SORTE
O sofrimento dos que não têm dinheiro nem apoios de espécie nenhuma e não estão em idade para arriscar e mudar de ares é enorme, claro. Entre ir à consulta de oftalmologia e faltar, ponderado o custo de tudo, transportes, matar a fome, a decisão é faltar e não poderia ser outra na grande repetição dos dias iguais. E assim sucessivamente. Devemos ser milhões destituídos do estatuto de consumidores e até do estatuto de cidadãos a assistir incrédulos à própria penúria, talvez a anestesiarem-se com ela. Zombies à espera da morte ou da sorte, enquanto os ricos gastam trocos em carros de luxo, iates, viagens, artigos de luxo, vida boa longe da maralha.
O DISCURSO ANTI-MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
«Fui professora do ensino secundário e quer nessa qualidade quer enquanto encarregada de educação nunca encontrei estes auto-proclamados defensores da escola quando os professores mais jovens eram colocados tardiamente e os colegas efectivos entretanto lhes tinham retalhado o horário segundo as suas conveniências. Muito menos quando se deixavam para os professores com menos experiência - logo nos lugares abaixo das listas - as turmas que davam mais problemas. Encontrei professores sinceramente devotados e preocupados. Mas essa era uma atitude individual. A escola em si não existia e muito menos se discutia. Aliás a única coisa que une o senhor Nogueira aos professores é o discurso anti-Ministério da Educação, entidade bem mais longínqua e fácil de contestar que os abusos, as irresponsabilidades, as discricionariedades e incompetências dos colegas ou dos dirigentes escolares.» HM
CORRUPÇÃO ENOJA RUAS
Cansaço cívico por causa da corrupção e meios de convergência das massas como o mundo nunca viu resultam em manifestações explosivas, mesmo num País ufano pelo seu sucesso económico recente, basta pensar que o Brasil produz tudo, correndo o risco, e isso é outro problema, de não ter a quem vender o que produz fora do seu fortíssimo mercado interno. Na Turquia, um movimento implacável contra a brutalidade de um Governo tentado à islamização dos costumes e à decisão lobista de fazer um centro comercial lá, num parque de nome Gezi que as populações adoram. É aqui que o dinheiro dos fortes, que o Poder político-económico, por mais que forceje avançar, não pode terraplanar as gentes fatigadas e os seus sonhos. Dilma pode ter nas mãos uma rebelião a progredir como o fogo num barril de pólvora: bastou o aumento da tarifa do transporte público para 20 Reais para a rejeição em pacote do sistema político brasileiro, onde tudo está em causa porque tudo é desigualdade, tudo é corrupção, logo com o Partido dos Trabalhadores de Dilma a simbolizar o que há de mais doloso e ruinoso no que ao prestígio da classe política diz respeito, comportamentos, factos e factóides que replicam os efeitos nas contas públicas e na sociedade de um PASOK grego e de um PS português, uma certa Esquerda que perde o pudor, uma certa Esquerda absolutista, ávida de autoperpetuação, que se deslumbra e aburguesa mal se vê no Poder e esse Poder se prolonga nos anos, traindo todas as expectativas das pessoas e atraiçoando toda a confiança que suscitara aos eleitorados. Solidários e sensíveis, os brasileiros perderam as ilusões. O Brasil do crescimento anual do PIB não o seu Brasil de baixos rendimentos com um oceano de miseráveis e excluídos em torno, não é o seu Brasil a mentalidade vigente de pequenos e médios investidores é enriquecer o mais rápido possível e para isso explorar exaustivamente a mão de obra e pressionar os preços. Seria fácil tolerar as marés da economia, o progresso e o crescimento, a austeridade e a inflação, caso a corrupção não desfilasse tão impudica no País do Mundial 2014.
RESUMO DA GREVE EM NOGUEIRÊS
«E apesar de se arrogar de defender todos menos ele, a única coisa que preocupa esta central sindical é, neste momento, o derrube do Governo. [...] Muito dificilmente o objectivo primeiro desta luta pode ser a defesa do ensino público. Digam alto e bom som que é porque não querem ver-se desempregados por um qualquer critério arbitrário.» Groink
DILMA EM MAUS LENÇÓIS
Os brasileiros não têm razões para se orgulharem de Dilma, à uma por ter consentido derrapagens absolutamente obscenas na construção dos estádios do Mundial, nada de surpreendente no paraíso do Mensalão. Em face da miséria e da desigualdade de imenso daquele povo, o escândalo avulta ainda mais. De um lado a corrupção da construção dos estádios e do outro o aumento insensível dos transportes públicos, dois pesos e duas medidas. Um erro político crasso desta presidência. Preconceituosa e insolente, Dilma, como muito bem analisa ABC, veio dar um péssimo sinal desprezivo a Portugal e aos Portugueses ao ignorar a celebração do nosso Dia e ao receber a Ruindade do Regime, Soares, e a Corrupção Político-Partidária do Regime encabeçada simbolicamente por Seguro, só porque se travestem de Esquerda e já snifam Poder. Cá se fazem e cá se pagam. Grandeza e nobreza em défice na Presidente não auguram nada de bom no plano interno. Outros caíram por bem menos.
Segunda-feira, Junho 17, 2013
PPP SOCRATESIANAS — ALTA TRAIÇÃO
De relatórios arrasadores está o inferno da impunidade cheio. Estamos milhões de portugueses à espera de consequências justiciárias administrativas e políticas à medida das conclusões que arrasam o crime político de dano grosseiro, de abuso de Poder, e de incúria pornográfica na gestão maliciosa das contas públicas. Até agora, nada. Entretanto, Sua Obscenidade continua a perorar as suas pérolas repletas de brilho baço e moralidade anal aos Domingos, como um Padre Beato, na RTP. Pode o Povo Português suspirar por esta Merda-em-Gente sub specie Seguris à frente da Governação em Portugal?!
Seja como for, habemus relatório da comissão de inquérito às parcerias público-privadas. Está no Parlamento. Arrasa as decisões tomadas por membros do Governo de José Sócrates e, logo, a caução socratinesca. A administração da Estradas de Portugal é acusada de ter sido conivente com a opção política vigente e o regulador dos transportes considerado incapaz de exercer as funções de supervisão destes contratos. Nenhuma surpresa. São 500 páginas e amanhã vai doer.
A utilização massiva de PPP em Portugal como forma de financiamento do Estado desvirtuou o seu objectivo fundamental que era reduzir custos para o Estado e melhor satisfazer as necessidades públicas.
Os estudos encomendados pelo Estado-PS para suportar a celebração destes contratos assentaram em cenários inflacionados e pouco realistas. O recurso excessivo às PPP teve por base a necessidade de os agentes políticos realizarem obra sem formalmente se endividarem obtendo com isso o devido aproveitamento político pernicioso, dado este tipo de encargos não ter impacto na dívida pública, naquela altura.
As PPP rodoviárias são simplesmente criminosas: Lusoponte é um dos piores exemplos. Os acordos de reequilíbrio financeiro desta concessão já custaram aos contribuintes portugueses quase 847 milhões de euros.
Quanto às ex-SCUT, nas renegociações ocorridas em 2010, durante o Governo de José Sócrates, foi assumido e aceite crescimentos elevados de tráfego que não eram de todo previsíveis e que, não se concretizando, obrigaram à compensação financeira dos concessionários.
Os ex-secretários de Estado dos Transportes, Paulo Campos, e das Finanças, Carlos Costa Pina, o qual é repudiado politicamente pela desresponsabilização que evidenciou na renegociação destas PPP.
A anterior gestão da EP, liderada por Almerindo Marques, foi conivente com as opções políticas na massificação das PPP, pelo que os administradores devem ser chamados a assumir as responsabilidades a par dos governantes da altura, especialmente no que toca à contratação de subconcessões rodoviárias, como a obra do Túnel do Marão, parada desde 2011, porque foram assumidos encargos que puseram em causa a sustentabilidade da Estradas de Portugal, apesar dos alertas do Tribunal de Contas e da Inspecção-Geral de Finanças. IMTT, que supervisiona o sector dos transportes, foi incapaz dr exercer na plenitude a sua função de regulador, no que se refere às PPP do sector ferroviário, com a última renegociação feita pelo actual Governo com uma poupança de 300 milhões de euros ao longo da vida dos contratos, os contribuintes vão ser onerados em mais de 12 mil milhões de euros por causa das PPP. Por força dos pedidos feitos por autoridades judiciais, este relatório será remetido ao Ministério Público.
CENAS DO FIM DO MUNDO DOCENTE
«Do tamanho dessa impossibilidade e desse problema, que apenas são sustentados por ideias românticas e muito antigas sobre a educação e o papel que o estado deve ter nela (ideias que, numa benévola hipótese, ascendem já à Revolução Francesa e a La Chalotais e Condorcet), resultam toda a espécie de arbitrariedades cometidas sobre os professores que prestam serviço no sistema: reduções salariais, salários baixos, precariedade contratual e, acima de tudo, essa vergonha que consiste na sua mobilidade geográfica, que todos os anos inferniza a vida a milhares de professores e suas famílias, e que dá da escola pública portuguesa uma impressão de total falta de humanidade e competência.» Rui a.
LAGARDEOMASOQUISMO
As instituições internacionais não são compostas por anjos nem por gente destituída de ambição nem que seja pela passiva. Tal é certamente o caso da directora-geral do Fundo Monetário Internacional e ex-ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, suspeita de cumplicidade no desvio de fundos públicos no chamado Escândalo Tapie. A ser verdade a carta dirigida ao Presidente Nicolas Sarkozy em que lhe jura fidelidade, está tudo ligado, sendo que figuras como estas tanto fazem o mal como a caramunha, tanto se prostram em submissão como falam grosso. A carta fora encontrada pela polícia em sua casa dirigida ao antigo Presidente francês. Por um lado, como ministra, Lagarde recuperou milhares e euros para o Estado Francês em activos nos processos por corrupção, por outro, terá fechado os olhos a outras tantas situações em função das amizades e lealdades sarkozianas: “Querido Nicolas, de forma breve e respeitosamente, estou ao teu lado para servir-te e servir os teus projectos para França. Utiliza-me como te convier e como convier ao teu projecto. (…) Se me utilizares, necessito de ti como guia e do teu apoio: sem a tua condução poderia ser ineficaz, sem o teu apoio seria pouco credível. Com imensa admiração, Christine L». Sarkozy, Berlusconi, Sócrates padecem do mesmo vírus-vício do Poder enquanto reserva exclusiva: não há limites nem meios a evitar para alcançar determinados fins. Portugal e Itália livraram-se relativamente bem desse fermento nojento. Tragicamente, no caso francês teria sido melhor ficar tudo como estava para não se assistir à triste procissão de impotência, ridículo e impopularidade proporcionada por Hollande, o milagreiro furado da Esquerda local.
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